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Horário

2.ª - 6.ª 09h30 - 19h30

sáb.  09h30 - 17h30

 

 

 

Folha de sala

 


Jornada Portugal Futurista e o futurismo | Programa

 

 

Visitas guiadas
por Ricardo Marques

27 set. | 18h30
7 nov. | 18h00
14 dez. | 18h00
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Apoio:



Portugal Futurista e outras publicações de 1917

MOSTRA | 27 set. - 30 dez. '17 | Sala de Referência | Entrada Livre
JORNADA | Portugal Futurista e o futurismo | 7 nov. '17 | 10h00 | Auditório | Entrada Livre / Programa

«Os rapazes do meu tempo! E nunca em Portugal os rapazes foram mais rapazes do que aqueles que eu conheci e estimei em 1917, no café Martinho, porque nenhuns souberam como eles acreditar tanto na sua mocidade. Nós, em 1917, acreditávamos em nós, na nossa voluptuosa e optimista juventude. Ser moço era para nós um dever patriótico. Portugal envelhecido – para remoçar-se precisava da mocidade convicta e sincera dos rapazes. E nós, por patriotismo, não só queríamos remoçar Portugal com a nossa juventude, nós queríamos também fazer de Lisboa a cabeça da Europa. E a mocidade daquele tempo, que já tinha lançado algumas revistas modernistas - atirou para espanto de todos os portugueses uma revista que excedia tudo quanto em audácia e originalidade se tinha até então publicado. Foi o Portugal Futurista».

 

Assim resume, em 1928, Rebelo de Bettencourt, o contexto do surgimento de Portugal Futurista, num dos raros testemunhos pessoais que chegaram até nós sobre essa mítica revista, cujo centenário esta mostra pretende celebrar. Este é igualmente o ponto de partida da mesma, num percurso que pretende desocultar mais detidamente as várias partes da revista e o seu lugar no panorama literário, das artes e do movimento Futurista. Com uma forte componente visual, na qual esteve profundamente envolvido o vanguardista Santa-Rita Pintor, a revista poderá ser vista na íntegra, através de um ecrã, onde passam cada uma das páginas do seu número único.


Portugal Futurista não foi, efetivamente, uma revista qualquer. A sua apreensão imediata é bem reveladora do seu conteúdo, tão invulgar quanto o de Orpheu, saída dois anos antes, e que ainda hoje nos faz sorrir. Uma carta datada de 11 de julho de 1917 pretende precisamente reatar a provocação e mostrar como existe uma continuidade entre as duas revistas, ainda que falemos de coisas (e protagonistas) diferentes. Da autoria de Fernando Pessoa, a carta fala da possibilidade de ainda editar um terceiro número de Orpheu, edição que nunca chegou a acontecer na sua vida.


Um dos objetivos da mostra é ainda mostrar o carácter ambivalente com que certas personalidades literárias trataram o seu relacionamento com o Futurismo (uma palavra-conceito nem sempre unânime), como é o caso de Alfredo Pimenta, poeta-crítico integralista, e dos seus «recortes futuristas», existentes nas reservas da Biblioteca de Arte da Fundação Gulbenkian.


Nesta mostra será assim possível constatar a complexidade interna desse número único, que integra duas folhas volantes: uma de promoção dos «Bailados Russos» – que chegariam a Lisboa em dezembro – e outra de divulgação de A engomadeira, da autoria de Almada Negreiros, também ele um dos elementos fulcrais da revista.


Outra das novidades é a possibilidade de escuta dos dois manifestos futuristas portugueses incluídos na revista – o já referido texto-manifesto de apresentação dos «Bailados Russos», e, também da autoria de Almada, o «Ultimatum futurista às gerações portuguesas do século XX», que podem assim ser integralmente compreendidos na sua multiplicidade futurista de palavra e som.


Revista irrepetível, enigma editorial, pedrada no charco em tempo de guerra e aparições, Portugal Futurista foi, em suma, uma tentativa de insurreição de uma certa juventude esclarecida, unida na sua diversidade para introduzir Portugal no século XX literário e artístico.