Versão para impressão Enviar por E-mail
banner_m_soares

 

 

Biblioteca Nacional de Portugal

Serviço de Actividades Culturais

Campo Grande, 83

1749-081 Lisboa

Portugal

 

 

 

Informações

Serviço de Relações Públicas
Tel. 21 798 21 68

Fax 21 798 21 38
Este endereço de e-mail está protegido de spam bots, pelo que necessita do Javascript activado para o visualizar

 

Horário

2.ª - 6.ª 09h30 - 19h30 /

sáb.  09h30 - 17h30

 

 


Mário Soares, 90 anos:

«só é vencido quem desiste de lutar»

MOSTRA | 28 jan. - 28 mar. '15 | Sala de Referência | Entrada livre

A Biblioteca Nacional de Portugal (BNP) assinala os 90 anos de Mário Soares, com uma mostra bibliográfica evocativa da sua vida e obra.

Nascido a 7 de dezembro de 1924, filho de João Lopes Soares, professor, pedagogo e político da I.ª República, e de Elisa Nobre Soares, Mário Soares foi professor e advogado, tendo-se destacado na defesa de presos políticos.

Adere, ainda estudante, à oposição ao regime. Integra o MUNAF (Movimento de Unidade Nacional Antifascista) e o MUD (Movimento de Unidade Democrática), fundando o chamado MUD Juvenil. Integra ainda as candidaturas de Norton de Matos (1949) e de Humberto Delgado (1958) à Presidência da República.

Foi candidato a deputado pela Oposição Democrática, em 1965, e pela CEUD (Comissão Eleitoral de Unidade Democrática), em 1969. Várias  vezes preso pela PIDE, é deportado para S. Tomé e Príncipe, em 1968. Exila-se em França, em 1970, onde leciona nas Universidades de Vincennes (Paris VIII), DE Sorbonne (Paris IV) e na Faculdade de Letras da Universidade da Alta Bretanha (Rennes).

Em 1973, no Congresso realizado em BadMünstereifel, na Alemanha, a Ação Socialista Portuguesa, que fundara em 1964, transforma-se no Partido Socialista (PS), do qual é eleito secretário-geral, sendo reeleito ininterruptamente durante 13 anos.

Regressado do exílio logo após o 25 de Abril, percorre, em nome da Junta de Salvação Nacional, as capitais europeias para obter o reconhecimento diplomático do novo regime. Participa nos I, II e III Governos Provisórios, como ministro dos Negócios Estrangeiros, e no IV, como ministro sem pasta, do qual se demite na sequência do chamado «caso República».

Foi primeiro-ministro do I Governo Constitucional (1976-77) e presidiu ao II (1978), período em que enfentou uma situação de quase rutura das finanças públicas e de crise económica, ultrapassadas através de um programa negociado com o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Em 1983, é novamente nomeado primeiro-ministro do IX Governo Constitucional (1983-85),  conhecido por Bloco Central, formado através de uma coligação PS/PSD e que se viu confrontado com nova situação de rutura financeira iminente e de crise económica, levando à celebração de um novo programa com o FMI. É ainda este Governo que ultima o processo de adesão de Portugal à então Comunidade Económica Europeia (CEE), cujo tratado é assinado em 1985.

Em 1986, é eleito, pela primeira vez, Presidente da República, e, em 1991, é reeleito para um segundo mandato que termina em 1996.

Entre 1999 e 2004 é deputado ao Parlamento Europeu e em 2006 concorre, de novo, à Presidência da República. Como confessa mais tarde, foi percebendo, durante a campanha, que a derrota era inevitável, tendo, no dia da eleição, terminado a sua declaração com um slogan do tempo da resistência ao anterior regime: «Só é vencido quem desiste de lutar».

Em 1991, constitui a Fundação Mário Soares (FMS), à qual preside.

Colaborou(a) em jornais e revistas, nacionais e estrangeiros, com destaque para Seara Nova, O Tempo e o Modo, Visão, Diário de Notícias e El Pais. Publicou diversas obras, de que se destaca Portugal Amordaçado (1974), originalmente publicada em França (Le Portugal baillonné, 1972) e traduzida em inglês, italiano, alemão, espanhol, grego e chinês. Tem reunidos em livro (Intervenções I a X, 1987-1996) os seus principais discursos e intervenções públicas enquanto Presidente da República.

É este percurso de vida que a mostra da BNP retrata, não apenas através de obras de e sobre Mário Soares – incluindo biografias, livros de entrevistas, fotobiografias –, mas também de cartazes, de manuscritos autógrafos – a João José Cochofel, Maria Lamas, Sophia de Mello Breyner Andresen, Urbano Tavares Rodrigues, Vergílio Ferreira –, «cartoons» e obras publicadas pela Fundação Mário Soares, entre outros.